O universo da criação não é infinito, mas é amplo o suficiente para reservar um espaço especial para a redação. Há profissionais que focam seus esforços na produção de conteúdo publicitário, que geram as aclamadas “chamadas persuasivas e criativas”. Há também quem siga a área de conteúdo puro, na qual nascem os posts de blogs (notícias e resenhas) e mídias sociais. E, pra não deixar de fora, ainda coloco os redatores que se arriscam nos textos técnicos, que são mais descritivos e longos. Poderia citar mais exemplos, mas fugiria muito do foco. A intenção aqui é tratar a redação como um todo, ou seja, a escolha do “escrever como profissão”, mas com direcionamento à publicidade.

Para alguns, não é mistério trabalhar com todas essas abordagens textuais no dia a dia. Por incrível que pareça, tem gente que se submete ao “sim, senhor” e faz tudo sem pensar na própria valorização do trabalho. O que seria isso? Podemos chamar de “faz tudo” ou, em termo mais comum, “estagiário” mesmo sem, de fato, ser. Em um ambiente exigente como de uma agência, aprende-se que dizer “não” é quase um crime. Ninguém pode se negar a fazer um trabalho, porque será taxado como “descomprometido” pela equipe julgadora. Digo com todas as letras: ISSO NÃO É VERDADE. Você pode dizer não e continuar sendo um redator comprometido. Porém, pra se manter nesse mundinho, o profissional é obrigado a baixar a cabeça e concluir a tarefa sem reclamar. Do contrário, rua. Outros aceitarão a demanda. Triste, né? Pois é.

redatora

Quanto mais versátil for o redator, mais fácil será a adaptação em uma nova empresa e com melhores olhos os chefes o olharão. Hoje em dia, a maioria das agências se define como “360”: atuação em diversas áreas convergentes ou não, tornando-a “mais completa”. As aspas estão aí, porque isso nem sempre acontece na prática. Vender a ideia de completude ilude muitos clientes de que elas entregarão um serviço de qualidade e integrado a diversas mídias em todos os projetos. Obviamente, a realidade é outra. Mas vamos ao que interessa: redator 360º. Essa nomenclatura surgiu enquanto escrevia este texto e, agora, faz muito sentido em minha cabeça.

Como seria um redator 360º?

Versátil: sabe adaptar os tipos de textos às demandas, independente de suas preferências e talentos para determinadas abordagens.

Desencanado: dificilmente um redator 360º será politicamente correto ao extremo, daqueles que questionam a ideologia da publicidade e o quanto ela afeta a sociedade. Isso sem falar em temas mais complexos, como a publicidade infantil.

Pau pra toda obra: é muito provável que esse redator seja cobrado com frequência. Mais do que isso, por vezes, será necessário deixar a vida pessoal de lado para se dedicar às concorrências e prospects que quebram, do nada, a rotina já frenética. Ele vai aceitar o projeto, ficará depois do horário (madrugar é fichinha) e, no dia seguinte, estará lindo, disposto e no mesmo ritmo do dia anterior.

Revisor por obrigação: dependendo do tamanho da agência, o redator tem funções extras, principalmente se ele deixar claro que é multitarefa no currículo ou espalhar aos coleguinhas que sabe revisar textos. No pior caso, será responsável pela carimbada do mal. Sim, aquela maldita assinatura que atesta sua revisão e pode até causar um belo processo judicial.

Detalhe importante: os tópicos acima não se aplicam aos redatores freelancer, já que eles têm mais liberdade pra escolher os projetos, diferente de quem trabalha em agência e deve seguir as regras internas.

Você se reconheceu como um redator 360º? Se não, gostaria de ser um? Reserve um tempinho para pensar sobre a sua carreira e pretensões para o futuro. É importante deixar a ponta do lápis que desenha seus objetivos de vida bem afiada, para evitar decepções e, até mesmo, problemas mais sérios.

Trabalho com redação há seis anos. Já passei por muitas agências, experimentei os mais variados tipos de textos e, com isso, construí uma opinião forte sobre os ambientes e cargos que ocupei. Confesso que não gosto de agência no geral. A filosofia do “vou pegar seu tempo de vida quase todo pra mim, roubar sua saúde mental e física para, no fim do mês, recompensá-lo com um tapinha no ombro, uma graninha e uns benefícios pra você não reclamar” não cola mais comigo. Ainda trabalho no ramo, mas pretendo me distanciar em breve. Caso esteja começando agora, não desanime. Sua tolerância pode ser totalmente diferente da minha. E outra: gosto é relativo. Tem gente que adora essa “vida” frenética. Eu tô passando a bola. Se quiser segurá-la, fica por sua conta em risco.